Economia em recessão é sinônimo de retração na comercialização de jogos.

“Lá nos EUA”, “lá na Ásia”, “lá na Europa”…. é, podia ser lá, mas estamos no Brasil. Todo gamer que se preza já reclamou -e reclama (muito), dos altos preços praticados aqui em nosso país, principalmente quando falamos em mídia física. E para pânico geral a coisa piora DEMAIS, quando os pobres coitados são gamers de console… Ai, amigo, fecha a conta e passa a régua!

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Nada se compara à nossa vida… NADA

Dentre muitas teorias que justificam os altos preços no Brasil, a principal é aquela que vincula a conversão de dólar para real: se o dólar está na cotação de R$4 (ou seja, cada US$1,00 vale R$4), e o preço do game é de US$50 nos EUA, aqui sairá por R$200,00. A teoria existe e é aplicada, mas apenas nos casos de compra direta ou exportação direta do produto americano. Em geral, jogos que são comercializados aqui, obedecem uma tabela das distribuidoras para preços de entrada, que hoje, a depender da distribuidora, pode chegar a R$299,00, o que é um abuso sem tamanho, já que nos EUA não passa da casa do US$60 na loja mais cara. Sem contar que se fosse assim, o preço oscilaria todo dayafter da bolsa de valores.

Mas como é feita a cotação de venda do jogo? Bem, sabemos que o Brasil é um dos maiores mercados mundiais no consumo de games em geral, e um dos primeiros quando se trata de games de consoles. Será que por esta razão os jogos aqui não deveriam ser mais baratos? Não. E isso se deve a três principais pilares:

  1. O Brasil tem alta tributação (mesmo desconsiderando o preço da conversão do dólar);
  2. Os games são considerados itens supérfluos e não culturais;
  3. O brasileiro paga o preço.

A tríade já foi confirmada por muitos empresários inclusive de outros ramos, principalmente no automotivo, que repassa e cobra, sem dó nem piedade, os preços mais altos do mundo aqui na nossa querida terra tupiniquim. Quando o game é levado a um país, uma empresa distribuidora cuida de sua propaganda e injeção no mercado. Neste caso o valor que chega para ela NÃO é o mesmo que seria caso importássemos diretamente. O que quero dizer é que neste caso o jogo para a distribuidora sai muito mais em conta, mesmo com a tributação originária de conversão e importação (entenda melhor aqui).

Mas como que raios elas nos vendem tão alto? Quando o produto dá entrada no Brasil e começa a circular ele também é alvo de impostos. E claro, todos os custos de trânsito, importação e comercialização (não importa quantas vezes ele foi vendido) são repassados para o trouxa, digo, o consumidor. Em todas as fases da cadeia de compra e venda há tributação, o que por si só já começa a elevar o preço do produto final. PORÉM….

Quando a loja que você está habituado a comprar adquire a mídia, ele paga um preço fechado, como nos mercados de atacado: quanto maior o numero de mídias, mais desconto ele terá. Para se ter uma noção, o game The Witcher III saia da distribuidora, quatro meses depois de lançado, a menos de R$150,00. Depois disso é a loja a responsável pela prática do preço maior: o preço de entrada do produto era R$250 – R$270, logo todo o resto para completar o preço cheio, é lucro da loja.

Concordamos que o comerciante não pode ficar a ver navios, mas em certos casos o lucro ultrapassa 100% no valor líquido. As distribuidoras para garantirem que os preços de entrada (ou tabela) serão cumpridos, sempre repassam com margem de lucro alta, o que incentiva sempre o comerciante final a jogar o preço nas alturas e evita que ele ceda.

Coisa similar acontece com as mídias digitais: no caso da PSN, os games são muitas vezes mais caros que as mídias físicas, mas pela simples razão de que a “loja virtual direta” não tem concorrência. Apesar a tributação também existir, ela é diferenciada, fora que os custos de produção que estão em jogo são relativizados. Por esta razão, a verdade é que as mídias digitais deveriam ser vendidas por cerca de 1/3 ou pouco mais do valor final da mídia digital. Há quem sustente que tal valor é por conta da conversão direta do dólar, mas como explicar que em muitos casos tem jogos digitais que saem mais em conta MESMO COM A CONVERSÃO direto na PSN americana do que na brasileira? Pois é, nem Freud explica… Mas o mercado sim: sem concorrência, sem limites, e claro, com pessoas pagando.

Acontece que há algum tempo as coisas não tem sido tão boas assim para este mercado. Não só as distribuidoras como também as lojas tem começado a sentir um forte baque nas vendas: em pesquisa de campo desenvolvida pela equipe 4Fun, constatamos que desde junho de 2015, as mídias novas da “nova geração” estão empacadas nas prateleiras e estoques, o que tem levado os lojistas a adquirirem menos unidades por compra. Atrelado a este evento, notamos que cada vez mais é complicado achar jogos usados destes consoles.

Com a intensificação da crise política e econômica instalada no Brasil aliada a forte queda no poder aquisitivo da população em geral, as vendas das mídias novas caíram quase 30% em cerca de um ano (considerando apenas as vendas de mídias novas para consoles). Muitos gamers tem dividido compra de mídias digitais (já que no caso da PSN, é possível instalar o mesmo jogo em até dois aparelhos), ou saem em busca das mídias usadas, que, cada vez mais, estão sumindo das prateleiras das lojas. Na galeria Stand Center da Avenida Paulista, em São Paulo, os lojistas já trabalham com lista de espera e de reserva (de usados), e ainda tem de “brigar” com clientes quando aparece uma pessoa vendendo usados, para que a negociação não seja perdida e eles possam ter algum lucro.

Quem anda conseguindo certo sucesso nas vendas para a nova geração, são as lojas de e-commerce: com inúmeras promoções e maior alcance, conseguem, aos poucos, se livrar dos estoques muito generosos do produto. Embora elas tenham esperado bastante para começar a desaguar com melhores preços, fato é que quase todos os dias elas lançam promoções de até 50% off, na tentativa de atrair consumidores.

Mas nem todos tem a sorte da promoção ser verdadeira ou durar o dia todo. E a opção que sobra e tem se tornado tendência com a economia meio -muito, mal das pernas, é justamente a procura por jogos usados. Mas vale o aviso: como a oferta ainda é baixa e a procura alta, nem sempre se acha usados em bons preços. Ai vale a pesquisa e a boa lábia, para que no final todos saiam ganhando, ou até mesmo a troca sem volta com algum titulo mesmo que de antiga geração que você já nem joga.

Um exemplo clássico de cuidado com preços é o game Evolve, da 2K. Hoje, a mídia física nova pode ser achada por cerca de R$50 – R$70 no e-commerce, ao passo que em algumas lojas que a comercializam usada acaba saindo por R$79. Então muito cuidado com as pegadinhas: o comércio sempre vai tentar te enrolar e tirar seu suado “dinheirinho”. Lembre-se que alem da escassez de produtos usados, cada um defende o seu.

Se você não conhece, vale olhar esse site aqui. A Compare Games é um excelente site para você conseguir descobrir bons descontos de mídias novas. Ele abrange todas as plataformas e um sistema de busca bem eficiente.

A reclamação dos altos preços sempre foi alvo de críticas mesmo quando falamos em jogos da geração anterior: as lojas tendem a não ceder e o consumidor nem sempre tem paciência ou vontade de se mobilizar pelo menor preço. Sabemos que as Distribuidoras aqui no Brasil são quase uma máfia, como todo nicho específico de alto lucro (vide combustíveis), mas é impossível não se indignar quando se tem consciência de como funciona toda a cadeia de venda destes produtos. E principalmente quando se sabe, mesmo sem querer, do quanto lucram em cima de nossas costas, ou melhor, do nosso bolso.

Que a crise que passamos não seja em vão e que o escambo seja mais valorizado. A comunidade gamer agradece.

 

 

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