Dragon Age: Inquisition – Análise

Muito se falou durante o lançamento (muito aguardado, por sinal), do novo título da franquia Dragon Age. Mas será que o jogo de fato é tudo isso que os jogadores esperavam? O jogo merece o título de “jogo do ano” que conquistou na Game Awards 2014?

Check list

Gênero: Action RPG

Tipo de jogo: “Mundo aberto”

Jogadores: multi, single

Plataformas: PS3, PS4, Xbox, Xbox One, PC e MAC.

Preço nominal: R$199,00

Preço promocional: R$100,00 (média) a base de troca em lojas físicas.

Demo disponível: Não.

  • 1. O conceito de mundo aberto. Aberto!?

Iniciamos o jogo há um tempo, o suficiente para notamos e termos algumas impressões sobre o teórico “mundo aberto”. Pois é: não temos um mundo exatamente aberto. Há limitações de mapa. Na verdade o jogo te leva a determinados caminhos e áreas sem muitas possibilidades de exploração além daquela traçada. Há uma liberdade bem mitigada. O jogador não pode ir até o topo da bela montanha ou atravessar o lago, por exemplo.

Nos parece meio frustrante ter essas limitações de cenário. Para quem joga Skyrim, Final Fantasy e até mesmo em um comparativo com um FPS (como Far Cry), ficou com aquele gosto de quero mais que não veio. O mapa de Dragon Age Inquisition lembra em partes o conceito de mundos de Mass Effect, também da Bioware, obrigando o jogador a sair para o mapa mundi e escolher um novo destino para poder explorar novas áreas, sem que as mesmas tenham uma ligação direta entre si. Fast Travel em Dragon age não é apenas um opcional para evitar longas viagens, é algo obrigatório para a transição entre mapas.

A BioWare parece que ao invés de aprimorar, retrocedeu, ou melhor, trouxe mais do mesmo em termos de alcance de mapa, limitando a determinadas áreas a exploração e mesmo assim denominando de “sandbox”.

Nossa avaliação neste quesito não passa de 7,0.

Parte do mapa mundi de Dragon Age Inquisition
Parte do mapa mundi de Dragon Age Inquisition

 

  • 2. O mítico baú que não abre – A interação com o cenário.

Pessoal, nossa frustração bateu forte quando fomos no pique abrir o baú e PUMBA!! O baú não abre…. Pois é…. Você interage com ele, pega seu conteúdo, mas o baú… ESTÁ ESTÁTICO!

Se a ideia era fazer um jogo indie, vá lá…. Mas isso num jogo “tecnológico”? Acho que tem algo errado ai, jovem.

Podemos, em geral, interagir com vários elementos do cenário (ou será que não?). Pilhagem de corpos é presente e o personagem se debruça para vasculhar. Em relação a coleta de plantas, raízes e minerais é a mesma coisa. O personagem se aproxima e obtém o produto, sem articulações especificas ou fluidas, sempre iguais aos casos de pilhagem.

Um pouco pobre também no quesito “vamos quebrar para achar coisas”. Diferentemente de Skyrim, por exemplo, e outros RPGs em geral, você não tem muita liberdade pra quebrar barris, vasos, madeiras e outras coisas que normalmente você pode e deve “futucar”.

Estes detalhes não são exatamente um problema, mas sendo um jogo tão badalado e considerando o ano de lançamento, o jogo deixou a desejar.

Aqui nossa nota é 5,0, porque ficamos extremamente frustrados, principalmente porque a promessa anunciada por alguns era quebrar a idolatria de Skyrim.

"Abrindo" um baú em Dragon Age
“Abrindo” um baú em Dragon Age

 

  • 3. A modelagem dos personagens – o desastre gráfico

Entãaaaaaao povo……. seguinte…. bem que a gente queria ter uma boa impressão disso, MAAAS não tivemos!

Antes de falarmos do problema em si, vale uma lembrança: a BioWare é a mesma produtora da saga Mass Effect, que teve seu primeiro titulo lançado em 2007, o segundo em 2010, e o terceiro, e último (não pera), em 2012. De boa modelagem, os personagens e Mass Effect têm boas feições e são bem acabados. Texturas, olhos, brilho, cores e até mesmo os cabelos. E não estamos falando apenas de cutscenes!!

Mass Effect 3 - Personagens
Mass Effect 3 – Personagens
Dragon Age Inquisition - Personagens
Dragon Age Inquisition – Personagens

Parece-nos meio inconcebível um jogo de 2014 ter tantos problemas com a modelagem dos personagens quanto no Dragon Age. Rostos de pouco expressão, duros e quase que mal acabados. As vezes nos perguntamos se isso é problema do PS3 ou se o jogo é assim mesmo. E em consoles… é, é assim mesmo. E o mais engraçado é que os NPC’s acabam tendo um pouco mais de expressão e fluidez do que o seu próprio personagem.

Não sabemos se a escolha da engine melou o bolo ou se o desenvolvimento que azedou. Mas fato é que ficou feio.

Por isso nossa nota é 6,0.

Dragon Age Inquisition - Personagem Principal
Dragon Age Inquisition – Personagem Principal

 

  • 4. O cenário

Primeiro vamos bater e depois fazemos carinho… é pegou mal! Mas é verdade. O jogo tem problemas com renderização. De repente as coisas brotam no cenário. Elas só aparecem ou quando você chega mais perto ou quando está BEM perto. As vezes você se depara com serrihas também que não deveriam existir. Há problemas no tempo de texturização dos objetos, roupas e do próprio cenário em si. Também vemos problemas quando os personagens entram em cutscenes de diálogos, e acabam sumindo antes da voz ou do texto traduzido.

O ponto positivo é que o cenário, apesar de tudo, é muito bonito. Mesmo com os problemas que o jogo apresenta, as cores do cenário, a fluidez do gráfico, as belas paisagens (muito bem escolhidas), os inimigos e dragões, são realmente de tirar o fôlego.

Apesar de tudo, a o cenário é lindo e merece nota 9,0.

Dragon Age Inquisition - Paisagem
Dragon Age Inquisition – Paisagem

 

  • 5. Os personagens, Árvores de Skill e Itens

Basicamente temos quatro raças: humanos, elfos, anões e magos, podendo escolher entre ser homem ou mulher. O jogo permite que você mude os rostos dos seus personagens, embora neste ponto o jogo seja deficitário em termos de qualidade. Mesmo que você gaste horas fazendo ajustes mínimos, a resultado final provavelmente não será aquilo que você esperava e seu personagem continuará tendo pouco ou nenhuma expressão, como abordado no tópico acima sobre a modelagem.

Depois de definir as características de rosto, você levado a uma área para optar entre as classes de ladrão, warrior e mago. As classes de ladrão e warrior permitem que você escolha entre 2 subtipos, mas a classe de mago não oferece opções.

Cada classe inicia o jogo com 4 árvores de skills, sendo que uma 5 árvore sera aprendida dependendo da escolha do jogador durante o jogo. Essas árvores de skills são bastante simples, e lembram em parte a distribuição dos perks de Skyrim, onde basta gastar um ponto de habilidade para habilitar determinada skill.

Esse sistema de skills de Dragon Age é bastante simples para um RPG, pois não há restrição de level para que você possa aprender as skills de suas árvores, sendo a única limitação para que uma skill seja habilitada é que a anterior em cada árvore já tenha sido aprendida. Não há também sistema de melhora das skills, onde você gasta mais pontos de habilidade para tornar determinada skill mais forte, por exemplo.

Skill Trees
Skill Trees

Com relação aos atributos do personagem (Força, Destreza, Mágica, Constituição), você não tem controle nenhum sobre os mesmos e o jogo define esses parâmetros automaticamente.  Você pode até equipar itens que concedam bonus para esses atributos, mas fica a sensação de que eles não servem para nada.

Já os itens em Dragon Age são bem variados seguem o padrão que se espera encontrar em jogos de RPG. Há aqui variantes de tipos de armas, de armaduras e de acessórios, itens especiais para criação de novas equipamentos e outros para aperfeiçoamento desses, sistema de raridade dos itens e restrição ao uso de determinados itens por algumas raças/classes.

Nossa avaliação fica em 8,0.

Dragon Age™: Inquisition_20141202101136
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  • 6. A jogabilidade em si – as quests e desenvolvimento do jogo.

Durante o jogo o personagem se movimenta bem. Embora não seja tão fluido, não chega a ser algo que atrapalhe ou incomode. Por ser um jogo em terceira pessoa, o personagem devia sim ter sido melhor modelado e construído para ter maior fluidez possível, mas não consideramos um ponto que vá te atrapalhar no decorrer do jogo.

Um problema que pode vir a comprometer algumas poucas partes são as paredes de cenário, que mesmo tendo aquele espaço para passar te impedem, principalmente quando estamos próximos de grupos parados de NPC’s.

Mas vamos a parte boa: recheado de quests, o jogo foi feito para se gastar muitas horas. As missões são, de praxe, separadas entre principal e secundárias. Acessível em menu próprio, podem ser selecionadas alternadamente ao gosto do jogador. O sistema de organização das quests nos pareceu meio confuso, mas talvez isso seja proposital, para aumentar a capacidade do jogador em explorar o grande mapa nas novas áreas, e consequentemente ir conquistando mais território livre de ameaças do mal. Mas não é raro você se perder no meio de tantas missões e esquecer o que precisava fazer para poder continuar a história, o que pode ser um problema algumas vezes.

O jogo aparenta ter um bom início, meio e fim. Todas as quests, embora separadas como dito acima, se entrelaçam, e são bem arrematadas. A história é cheia de intrigas, brigas, conflitos, orgulhos, porradaria e sangue. Mas também de cordialidade e cooperação com os demais contatos do jogo.

Você não fica sozinho para enfrentar o perigo: você tem uma squad de até quatro personagens, contando o seu. São NPC’s que você encontra durante o jogo e opta por participarem de sua equipe ou não. Você tem determinados lugares no mapa para mudar isso.

O jogo possibilita que você molde suas escolhas nos diálogos: apoiar ou rechaçar determinadas condutas dos NPC’s pode te levar a ter determinada influência sobre um grupo ou cidadela.

Isso é muito legal, porque você pode, até certo ponto, bancar o vilão sem escolha da história ou o herói da pátria com todas as letras.

Neste quesito o jogo leva um 9,0, por apresentar boas opções e jogabilidade bem interessante.

dai quests

 

  • 7. Tradução

Dragon Age possui legendas em Português do Brasil, e podemos dizer o que trabalho de tradução foi bem feito. Os textos condizem que o que está sendo dito pelo personagens, e não notamos nenhum grande problema de tradução como falas incompletas ou textos sem sentido, apesar do áudio estar em inglês e não haver uma dublagem.

A tradução dos menus, das quests e de outras partes do jogo também ficou boa e não temos críticas sobre isso.

Por tais motivos, avaliamos em 10,0.

  • 8. Multiplayer

Dragon Age Inquisition possui anda um modo Multiplayer online. Mas não se anime achando que você irá jogar a campanha em modo cooperativo com seus amigos ou mesmo que seu personagem principal do modo história será utilizado no Multiplayer, pois esse modo é completamente independente.

Não exploramos o bastante esse modo de jogo para tirarmos uma conclusão definitiva, então vamos deixar essa análise pendente até podermos falar mais sobre o assunto.

dai multiplayer

  • 9. Vale ou não a pena comprar?

Na nossa visão, caso você tenha outros jogos em mente, jogue-os. Dragon Age Inquisition é bom, vai proporcionar muitas horas de jogo, mas está longe de ser tudo aquilo anunciado. A menos que você seja um fã da série, não vale o preço de tabela. É melhor esperar um pouco mais e pagar um preço menor em eventuais promoções.

Com colaboração de Fernando Takacs.

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