Games e HQs – Uma união perfeita – ESPECIAL WESTERN – PARTE #01

Meses depois de ter editado as matérias do especial Bonelli Games, dei de cara, em um volume recebido de presente por um grande amigo, com uma interessante e explicativa nota sobre o jogo de Zagor (Zagor: na Fortaleza de Smirnoff), que foi inspirado nesta mesma história, publicada na Zagor Especial n. 47, de mesmo nome. O texto, como qualquer um dos inúmeros de qualidade incontestável, é de autoria de Julio Schneider.

E justamente falando deste incrível pard, é que busquei seus esclarecimento, indagando então, sobre outras eventuais publicações que pudessem ter saído nas HQs. E a resposta, além de rápida, foi muito positiva, já que o Julio, além de indicar as revistinhas em que tais matéria foram impressas, ainda cedeu, gentilmente, os arquivos para que eu pudesse contempla-las! E justamente por isso, faremos outro conjunto especial de matérias!

Então, desde já, agradeço a ele pela total colaboração e interesse em ajudar na minha busca por conhecimento!

AS PUBLICAÇÕES GAMERS

Antes de entrar diretamente no assunto, vale a pena expor o material que foi cedido, afinal, para um bom gamer que se preze, poder ler pedaços de história, análises, curiosidades, crônicas e reviews, é sempre uma oportunidade de estudar este campo, embora ainda mal visto por boa parte da sociedade.

Não raras vezes gamers, desenvolvedoras, escritores, jornalistas e críticos que sempre estão diretamente envolvidos com o mundo digital (que, em seu início podemos dizer, analógico -he, he, he…), acabam levando a pecha de “desocupados”, e durante muito tempo, fomos vistos como meros “viciados” em algo que, em tese, era potencialmente ruim.

Mesmo com o passar dos anos e o galope da evolução tecnológica e comprovação de que a industria de games É importante para o desenvolvimento de novas tecnologias, ainda há quem faça vistas grossas para nossa profissão “gamer”.

Mas, jogar é mais que um passa tempo, é uma arte, assim como a leitura. Não para ver quem matou mais ou quem platinou aquele título pop primeiro: quem joga, na verdade, pode mais. Pode saber mais, pode explorar mais, pode conhecer até de história mundial, como não raras vezes acontece com a franquia Assassis Creed, Wolfesntein e Sniper Elite. As técnicas, o enredo e a experiência visual são elementos lúdicos que aprimoram um ser humano, seja ele de qualquer idade, gênero, crença e etnia.

A destreza para segurar um controle, ou balancear um mouse, pode ajudar crianças em idade de desenvolvimento motor e idosos com problemas de Alzheimer a desenvolver e corrigir a coordenação motora; crianças e adultos com déficit de atenção podem usar os games como forma coadjuvante no tratamento deste transtorno; pessoas com dificuldades de aprendizado podem -e devem, valer-se dos jogos para ajudar na fixação dos estudos (como é o caso de Valiant Hearts e This War of Mine). Os jogos online devem ser levados mais a sério: promovem a interação, conhecimento de outros idiomas e a amizade. Jogos coop desenvolvem o instinto de compartilhamento e apoio para conquistar mais que qualquer outro estilo conhecido. A Agilidade de raciocínio desenvolvida; a percepção da visão periférica… enfim, são pontos muitas vezes sonegados e desconhecidos até mesmo por quem joga e pelas próprias empresas… E imaginem para a sociedade, como um todo, que sequer se esforça para entender esse “novo” velho mundo?

O mundo GAMER é, acima de tudo, uma ferramenta multidisciplinar que ainda merece muita atenção e deve ser reconhecida como tal. Jogar no controle, no teclado, na guitarra, só com movimento: não importa. O que importa é a causa por trás da intenção. É a história por trás da história, que muitos ainda teimam em não ver ou relativizar.

Comprar uma revista especializada, adquirir uma HQ… não. Definitivamente não são coisas de “desocupados” e muito menos de “criança”. Há muito mais por trás do que se vê. Mas você, leitor, só vai enxergar quando der, a si mesmo, a oportunidade de expandir sua mente 😉

Então, nada melhor que unir duas incríveis paixões: quadrinhos e jogos!

 

GAMES NA MYTHOS E SEUS COMPLEMENTOS

  1. TEX Almanaque 35 – Videogames: Lucky Luke não falta! (página 16)

A primeira publicação que vamos tratar é a impressa na TEX Almanaque n. 35, que trouxe, as folhas 16, uma pequena nota sobre o jogo Go West!, de 2007:

 

Antes de maiores considerações, vale a pena falar um pouco de Lucky Luke: uma série literária em forma de HQs de origem franco-belga, criada em 1946 por Morris (pseudônimo de Maurice de Bévère). Nascido na Bélgica, em Kortrijk, Morris começou a desenhar nos pequenos e efémeros estúdios de animação CBA, onde conheceu Peyo e André Franquin.

Lucky Luke é um cowboy solitário que viaja através do Oeste selvagem ajudando aqueles que precisam e ajudado pelo seu fiel cavalo, Jolly Jumper. A primeira aventura de Lucky Luke – Arizona 1880, foi publicada no almanaque “Spirou 1947”. As primeiras 31 aventuras foram publicadas pela Dupuis, mas no final dos anos 1960, Morris deixou a Dupuis e a revista Spirou e passou para a Dargaud e para a Revista Pilote.

Visando aperfeiçoar sua experiência em Lucky, Morris viajou aos Estados Unidos com os seus colegas Jijé e André Franquin, onde viveu durante seis anos, período em que recolheu material para mais aventuras do seu herói. Ali conheceu René Goscinny, um escritor de quadrinhos francês que, mais tarde, escreveria as histórias de Asterix, até sua morte, em 1977.

Rantanplan

Ao contrário dos seus contemporâneos, Morris nunca trabalhou em muitas séries, apesar de ter feito numerosas ilustrações para histórias nos anos 1940 e 1950. Nos anos 1990, produziu a série Rantanplan, um spin-off de Lucky Luke, em que a personagem é o cão mais estúpido do Oeste (companheiro de Lucky). Com enredo que transita entre paródia e tributo ao velho oeste americano, Lucky Luke por vezes cruza com personagens não fictícios, como Calamity Jane e Billy the Kid, assim como visto em Tex em muitas edições.

A série, ou franquia, embora conte com 75 números na série regular, é o terceiro maior sucesso de vendas na Europa, ficando atras somente de Tintim (Hergé) e Asterix. Toda esta admiração lhe renderam QUATRO games:

  • Lucky Luke – 1998 (PS1)

A primeira aparição de Lucky no mundo virtual em novembro de 1998, em um jogo exclusivo para PS1, desenvolvido pela Ocean e distribuído pela Infogrames. É um jogo de ação em plataforma 2D.

Os irmãos Dalton (arqui rivais de nosso cowboy), são considerado os mais malvados ladrões de bancos em todo o Arizona, e acabaram escapando da prisão. Agora cabe ao nosso homem da Lei, Lucky Luke, detê-los. O jogo não exige destreza de espaço: você assume o controle de Luke enquanto viaja através de 17 níveis entre desertos, cidades fantasmas e vagões fugitivos. Mas fique atento: Luke pode -e deve, pegar vários itens úteis ao longo do caminho. E neste ponto, em parte, lembramos a lógica popular de Donkey Kong: as estrelas do xerife reforçam os pontos de sucesso máximos de Luke, por exemplo, enquanto o “Luke Head de Ouro” dá o maior impulso com uma vida extra . Luke também pode pegar dinheiro que pode ser usado para comprar suprimentos extras, bem como senhas que permitem que Luke continue sua busca.

Mas para ilustrar melhor o game, vale a pedida de uma boa gameplay:

 

  • Lucky Luke: WANTED! – 2001 (Exclusivo para GameBoy Advanced)

Confessamos a surpresa em ver um título exclusivo para GBA de Lucky Luke, até porque quase não existem dados coletáveis a este respeito. Soubemos do game conta de uma pesquisa geral no site da GameFAQs. Asinformações reportam que o jogo é 2001 e foi produzido pela WizardSoft e publicado pela Infogrames.

Embora as informações sejam escassas, foi possível localizar uma gameplay!

Jogo linear em 2D, masca típica do console, este jogo lembra a mecânica de Castlevania, Golden Axe e tantos outros mais antigos da ainda concorrente Mega Drive (SEGA).

  • Lucky Luke: Western Fever – 2001 (PC e PS1)

Desenvolvido em 2001 pela KALISTO ENTERTAIMENT e distribuído pela publisher Infogrames. O game começou a ser produzido em meados de 1998, mas só foi realmente publicado em 2001, saindo para PC e PSX, sendo um dos últimos títulos produzidos pela empresa francesa.

Fundada em 1990, ela acabou encerrando suas atividades em 2002, quando teve sua falência decretada. Especula-se que a série de sucessões empresariais da Companhia renderam algumas sonegações fiscais, já que o CEO da empresa foi inclusive condenado ao pagamento de uma multa porque o Tribunal considerou que havia omissão de informação aos acionistas.

Embora considerado um “jogo épico” por alguns fãs, Western Fever não emplacou. O indicador da GameFAQs atingiu rating de amostragem não superior a 3,5/5 e os usuários relataram que toda a campanha não dura muito mais que 17 horas. Também foi relatada a existência de um bug, que na época, deixou os usuários de PSX furiosos e baixou ainda mais a popularidade do game. Os usuários de PC também relataram o mesmo problema em uma parte específica, que mais tarde, acabou sendo esclarecido pelo suporte técnico da desenvolvedor que tratava-se de uma segurança contra cópias.

Um jogo simples e linear que proporciona ao jogador uma experiencia do “velho-oeste” em terceira pessoa, com ambiente em 3D. A jogabilidade não exige habilidade em si do jogador, mas como todo bom título da época o segredo do sucesso reside na sagacidade de interação com o ambiente, tanto para resolver as “missões” (que são contínuas), quanto para enfrentar seus inimigos, os lendários irmãos Dalton e sua trupe.

Para conferir, assista o vídeo:

 

  • GO West! – 2007 (PC, Wii e DS)

Sim, este é o título abordado nas páginas de Tex Almanaque a que estamos comentado! E por isso mesmo merece um capítulo a parte.

O Jogo em verdade foi desenvolvido pela Tate Interactive (que até 2002 ainda era X-Ray Interactive), em parceria com a Neko Entertainment e a Agência Cinematográfica Xilam. Atari é “apenas” a publisher; e aqui vale uma colocação: Atari e Infogrames, hoje, são a mesma empresa.

A Tate Int. é uma empresa Canadense ainda atuante no desenvolvimento de jogos para plataformas portáteis. Há linhas de publicação em PC, mas o foco é realmente direcionado para os consoles “de mão”… Mas isso quando se fala em games. A empresa hoje desenvolve parcerias em network e referências digitais para desenvolvimento de aplicativos e sites tanto para marcas diretas como para companhias empresariais.

Já a Neko Ent., é, de fato, uma desenvolvedora e publisher de jogos eletrônicos, e tem um acervo bem extenso de títulos. Empresa francesa, fundada em 1999, seu foco de produções baseia-se numa plataforma de desenvolvimento evolutivo para consoles em 3D, denominada Neko Game Development Kit, que permite que a empresa desenvolva jogos em simultâneo em todas as plataformas. É uma espécia de multicompatibilidade para um mesmo jogo produzido por essa ferramenta de criação. Suas licenças para desenvolvimento são praticamente gerais: 3DS, Game Boy Advance, GameCube, Nintendo DS, PlayStation 2, PlayStation 3, PlayStation 4, PlayStation Portable, PlayStation Vita, Wii, Wii U, Windows e Xbox 360.

Xilam Animation é uma empresa francesa especializada na produção de desenhos animados em animação tradicional e digital para TV e Cinema, desde 1994. E para quem quer uma referência de suas produções, Mr. Magoo está entre elas! Acesse o site para verificar outras marcas sob sua assinatura clicando aqui.

A aventura gráfica de Go West! já é mais refinada: com elementos de jogo em primeira pessoa, o motor gráfico em 3D da época já se apresenta mais polido e começa a trazer as primeiras texturas apuradas para Wii (vale lembrar que durante muito tempo a Nintendo foi conhecida por sua grande potência no uso do motor em 3D, sem, no entanto, ter o refino gráfico presente em suas concorrentes como a Sony):

Nova Iorque, 1855. Lucky Luke, o cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra, escolta os Dalton Brothers para o seu milésimo processo judicial. Claro que neste percurso os Daltons dão um jeito e fogem de nosso herói. Joe, Jack, William e Averell causam estragos e caos em toda a cidade, roubando bancos e explodindo coisas. Com a polícia e Lucky Luke em seus calcanhares, os Irmãos têm que observar cada passo.

Sobre a publicação…

Mas agora, vamos ao que interessa: nossa HQ, Tex Almanaque 35, foi as bancas em maio de 2008, e o Autor da matéria, Luca Fassina, abordou pontualmente, um detalhe: de fato, de alguns anos para cá, jogos com enredo western tem sido mais difíceis de se ver em anúncios rotineiros, sendo certo que as desenvolvedoras não perdem muito tempo cozinhado “miolos” para inovar num enredo que consideram “batido”. Se analisarmos, por exemplo, o mercado de jogos, a massiva quantidade de lançamentos baseado em guerras mundiais é infinitamente maior.

Mas, também não podemos deixar de lado que então nosso amado velho-oeste sempre esteve bem representado. Vale citar:

  1. The Oregon Trail – lançado em 1971 (e tinha cunho eminentemente didático)
  2. Gun Figth – lançado em 1975
  3. Custer’s Revenge – lançado em 1982
  4. Wild Gunman – lançado em 1984
  5. Gunfrigth – lançado em 1985
  6. Gun.Smoke – lançado em 1985
  7. Blood Bros – lançado em 1990
  8. Mad Dog McCree – lançado em 1990 (ganhou algumas repaginações nos anos 2009 – para o Nintendo Wii, 2011 – versão para IOs, 2012 – versão para Nintendo 3DS exclusivamente pelo e-shop, e 2013 – uma versão para PS3 exclusivamente pela PSN)
  9. Sunset Riders – lançado em 1991
  10. Cowboy Kid – lançado em 1991
  11. Mad Dog II: The lost Gold – lançado em 1992
  12. Lethal Enforces II – lançado em 1994
  13. Wild Guns – lançado em 1994 (foi relançado para Nintendo Wii em 2010)
  14. Silverload – lançado em 1995 (definitivamente o velho oeste é diferente neste jogo… A menos que lobisomens componham seu conceito de western:) )
  15. Outlaws – lançado em 1997 (aqui vale a informação: o titulo foi desenvolvido pela potência da LucasArts e o game foi um dos poucos FPS lançados na história dos games com temática western – que parece que em breve o novo Far Cry 5 comporá esta lista)
  16. Desperados: Wanted Dead or Alive – lançado em 2001
  17. Red Dead Revolver – lançado em 2004
  18. Dead Man’s Hand – lançado em 2004
  19. Call of Juarez – lançado em 2005
  20. Oddworld: Stranger’s Wrath – lançado em 2005 (vale o aviso: o game não é um jogo convencional western e vai misturar elementos “futuristas” ao enredo e jogabilidade)
  21. Gun – lançado em 2005
  22. Darkwatch – lançado em 2005, Darkwatch também mistura os gêneros de western, horror, e steampunk, contado a história de Jericho Cross, um pistoleiro fora da lei do Velho Oeste que foi transformado em um vampiro e então recrutado à força por uma organização secreta que caça monstros para lutar contra forças sobrenaturais. Se transportarmos para o universo Bonelli, é uma espécie de mundo “Dampyriano” enxertado em Tex!)
  23. Samurai Western – lançado em 2005 (assim como sugere o nome, o game tem como protagonista um samurai em busca de seu irmão no velho oeste… Sim, amigos! Embora a mistura seja um tanto estranha e empolgante, o game não emplacou e recebeu notas medianas em todas as análises. O titulo foi lançado para PS2 e descontinuado depois do tombo de vendas)
  24. Desperados 2: Cooper’s Revenge – lançado em 2006 (é a sequencia do Desperados: Wanted Dead or Alive, lançado em 2001)
  25. Bang! Howdy – lançado em 2006
  26. Dead eye Jim – lançado em 2007
  27. Westbang – lançado em 2009 para IOs
  28. Call of Juarez: Bound in Blood – lançado em 2009
  29. Smoking Guns – lançado em 2009
  30. Lead and Gold: Gangs of the Wild West – lançado em 2010
  31. Golden Trails: The New Western Rush – lançado em 2010
  32. Red Dead Redemption – lançado em 2010
  33. Call of Juarez – The Cartel – lançado em 2011
  34. Six Guns – lançado em 2011 (exclusivo para Android e IOs)
  35. Gunman Clive – lançado em 2012 (com temática western futurística o jogo é em 2D, produzido para PC, Android, IOs e Nintendo 3DS e WiiU)
  36. Call of Juarez: Gunslinger – lançado em 2013
  37. Red Dead Redemption 2 – lançamento previsto para 2018 (primeiro semestre)
  38. Far Cry 5 – lançamento previsto para 27 de fevereiro de 2018

Importante notar que, embora o gênero tenho sofrido alguns hiatos, o maior deles se concentrou entre os anos de 1997-2001 e depois de 2001-2004, provavelmente com o estou dos gêneros de aventura como Tomb Raider e Uncharted, que adicionaram novos elementos de experiência gráfica e jogabilidade. Outro grande hiato pode ser notado no intervalo de lançamentos de 2013 para 2018, que acabou jogando para cinco anos os lançamentos com temática western. Neste último caso, a probabilidade  que justifica a ausência de título menores é justamente a nova geração de jogadores: imediatistas e de preferência questionável de jogos, a maioria da nova geração tem tendência de escolher -e fomentar, o desenvolvimento de jogos de tiro, em primeira ou terceira pessoa, multiplayer e de preferência, com referências futuristas.

MAS, aqui abrimos um enorme parêntese: a gigantesca ROCKSTAR, dona da mundialmente famosa e aclamada franquia GTA, também é produtora de um dos MAIORES jogos de velho-oeste já produzido: RED DEAD RENDEMPTION, que, como já citamos, teve sua primeira aparição em 2010. E para o ano de 2018 já está previsto seu RETORNO ao lado de Far Cry 5, que trará um “western” em tempo modernos. Finalmente, depois de um jejum de longos 5 anos, teremos jogos épicos para representar novamente um dos maiores gêneros mundiais de jogos.

RDR 2:

 

FAR CRY 5:

 

 

 

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